Israel e Egito – Parte 2 e Palestina

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O Muro das Lamentações

Entrar em países que vivem em uma situação de tensão como é o caso de Israel não é assim tão fácil e pra um mochileiro que gosta de viajar sem reservas de hotel e sem dinheiro do país que vai visitar é pior ainda… Ainda assim acho que mandarem SEIS oficiais diferentes pra me fazer as mesmas perguntas chega a beirar o ridículo mas foi o que aconteceu. O discurso deles era esse: Porque eu estava ali, onde eu ia ficar, quanto dinheiro eu tinha, que dia eu ia embora, pra onde eu ia depois?

Todas as vezes respondi da mesma forma, com a mesma educação da primeira. Estava ali pra conhecer o país, como turista, não tinha reserva de hotel mas tinha vários endereços de locais pra dormir, não tinha dinheiro do país mas tinhas euros, francos suiços (onde fiz uma escala que contarei depois), cartão de banco e que assim que eles me liberassem iria sacar dinheiro em um caixa eletrônico, pretendia ficar mais ou menos uma semana e depois iria pra Jordânia, Síria e Líbano. Ao fim de 2 semanas estaria em Tel Aviv pra pegar o avião que me levaria embora.

Nesse momento da viagem eu tinha decidido não ir ao Egito.

Como eu relatei antes pra poder entrar na Síria e no Líbano não poderia ter meu passaporte carimbado em Israel.

E cinco das seis vezes que me entrevistaram sempre fiz esse pedido, e cinco das seis vezes me disseram que não haveria problema. Na sexta vez, já cansado depois de 4 horas no aeroporto, me esqueci de fazer esse pedido e 5 minutos depois dessa última entrevista vem um oficial com o meu passaporte dizendo que eu poderia ir. Estava Liberado! Fiquei tão contente na hora que nem me dei conta que eles haviam carimbado meu passaporte, só fui ver isso quando enfim passei a imigração e naquele momento minha ida pra Síria e Líbano ficava automaticamente cancelada.

Um sentimento de frustração era inevitável. Restava colocar os problemas pra trás e aproveitar as próximas 2 semanas entre Israel e Jordânia. 

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Jaffa Gate

Saí do aeroporto e fui pra rodoviária de Tel Aviv e peguei o primeiro ônibus pra Jerusalém, cheguei lá já escurecia e ainda tinha que achar um lugar pra dormir, quando cruzando o famoso Jaffa Gate, um dos portões de acesso à cidade antiga de Jerusalém, escuto dois brasileiros conversando, um homem e uma mulher. Eu estava super cansado e a minha primeira reação foi passar direto, caminhei mais uns 50 metros quando decidi voltar e falar com eles e esse momento mudou toda a viagem, assim conheci duas pessoas fantásticas, dois grandes amigos que tornaram essa viagem muito mais divertida. A Eliana de São Paulo e o Alexandre de Nova Friburgo/RJ. Mas o interessante é que eu nem fiquei com eles ali nesse dia, perguntei se conheciam um hostel onde eu pudesse ficar, a Lica (Eliana) estava no Petra Hostel e o Ale em um outro perto da Damascus Gate. Como eu tinha boas referências do lonely planet (famoso guia de viagem) de um outro hostel decidi não acatar as dicas deles, dormi uma noite no tal hostel indicado, não gostei e no outro dia em frente ao Petra Hostel encontro eles de novo. Destino? Coincidência? Chame como quiser mas a verdade é que a partir daí não nos largamos mais! Mudei pro Petra e eles se tornaram os companheiros de viagem em Jerusalém. 

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Um trecho da Via Dolorosa

No fim do dia acabamos em um pizzaria na Via Dolorosa, pra quem não sabe é o trajeto que Cristo percorreu carregando a cruz, o dono se chamava Miguel Angél, era uma figuraça meio árabe meio equatoriano, que falava espanhol, fazia as pizzas do jeito que a gente quisesse e se tornou nosso amigo também. 

Inevitavelmente, visitar Jerusálem é um acontecimento ligado à religião. Eu não sou um cara muito religioso, não tenho muito conhecimento bíblico e a primeira vez que fui andar sozinho por Jerusalém, já que a Lica tinha coisas pra fazer e o Ale estava em outro albergue, entrei na Basílica do Santo Sepulcro, perto do meu hostel, construída no local onde Cristo foi crucificado. Fiquei observando umas pessoas colocando a mão em uma pedra no chão e me dei conta que precisava de alguém que me explicasse o que significava aquilo e todas as outras dúvidas que com certeza iriam surgir e pela primeira vez nas minhas viagens decidi que precisava de um guia. 

Depois da Basílica comecei a procurar e sempre encontrava pessoas nada amigáveis que sabiam de alguém mas que me cobrava os olhos da cara pra uma ou duas horas por Jerusalém.

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Eliana, Miguel Angél, um ajudante dele, Alexandre e Eu

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Ale, Lica e Eu na “nossa” pizzaria

Lembrei então do Miguel, fui lá na pizzaria e depois de uma ligação dele já tinha uma conversa agendada praquela noite com um cara que também veio a se tornar um grande amigo, o Kais, um palestino que viveu em Paris muitos anos. Fomos tomar uma cerveja e fechei com ele por 3 dias, iríamos com o carro dele à Palestina, ao Mar Morto, Belém, algumas outras cidades históricas que ele me convenceu a conhecer e no terceiro dia faríamos um tour pelos principais locais de Jerusalém com direito às explicação dele, perguntas que eu quisesse fazer e tudo isso por um pouco mais do que os caras nas ruas pediam. Os almoços eram por minha conta mas como ele conhecia os lugares e era dali eu pagava pra nós dois pelo mesmo preço que tinha pago se fosse sozinho. E ainda eu poderia levar mais gente pelo mesmo preço, ou seja, se a Lica e o Ale quisessem ir comigo poderia rachar as despesas.

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A pedra que as pessoas tocavam e que me fez procurar um guia

Terminei o dia com mais uma animada visita à pizzaria do Miguel e na hora de ir embora ainda fomos numa espécie de confeitaria comprar uns doces típicos de Israel. O engraçado é que como estavam fechando, o cara só nos deu umas embalagens na mão e nos deixou entrar no balcão onde nos servimos à vontade, com direito a umas degustações extras, entre uma escolha e outra. Eu e a Lica fizemos a festa!

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Ale, Lica e Kais

Então no outro dia cedinho partimos com o Kais pra Palestina, nosso primeiro destino do tour contratado. 

Ainda não contei mas além da companhia ser agradável havia ainda um outro fator quase impossível, daquelas coisas que só acontecem em viagem. Bom, o Kais é palestino, até aí tudo normal, mas a Lica é de família judia e o Ale estudou para ser padre e depois desistiu.

Já se deram conta da situação? Eu tinha um muçulmano, uma judia e um cristão no meu círculo de amigos, que mais eu poderia querer pra começar a aprender sobre os lugares que estava visitando?

Engraçado também eram as divergências de opinião entre o Kais e a Lica a respeito do mesmo assunto e a certeza de que realmente Judeus e Palestinos tem um longo caminho pela frente até começarem a se entender.

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Os árabes não conhecem o significado da palavra grátis

Nossa primeira parada foi num mosteiro num desfiladeiro, o St. George Monastery. Aqui o Alexandre aceitou a “receptividade” dos árabes que ofereceram um burro pra ele fazer o trajeto até o convento, foi engraçado o Ale tentando se explicar depois que não sabia que teria que pagar por isso. No fim e alguns “shekels” depois, (moeda israelense), ficou tudo bem.

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o St. George Monastery ao fundo

Depois disso fomos num outro templo em Jericó, onde Cristo foi tentado pelo diabo por 3 vezes, e tivemos um típico almoço palestino por lá mesmo. Jericó é considerada a cidade mais antiga ainda existente com 10.000 anos!

O dia terminou numa praia no Mar Morto, onde realmente não se consegue afundar por causa da altíssima salinidade da água. A sensação é indescritível.

O Alexandre conseguiu flutuar pela primeira vez na vida, já que ele não sabe nadar, então pra quem também não sabe e quer saber como é, a dica é essa: Venha ao Mar Morto!

O segundo dia não interessou à Lica e ao Ale então fomos só eu e o Kais pra umas cidades históricas da Palestina, uns sítios arqueológicos, mais um almoço espectacular num restaurante de um amigo do Kais e acabamos em Nablus, a primeira capital de Israel, (na visão palestina), onde eu comprei o meu cachecol igual ao do Yasser Arafat e que dias depois foi muito elogiado por uns palestinos nas ruas de Jerusalém. 

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Visitando o Domo da Rocha

No fim do dia, o Kais me disse que ia fazer uma coisa que não faz muitas vezes e me convidou pra ir jantar na casa dele em Jerusalém Oriental, aceitei o convite, claro, e assim pude conhecer a família do meu amigo palestino. E assim terminou mais um dia incrível por terras israelitas e palestinas!

E o dia a seguir era a cereja no topo do bolo! Iríamos finalmente fazer o tour guiado por Jerusalém e acabaríamos o dia com uma visita à Belém, onde Jesus nasceu!

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Essa rampa é o acesso ao único portão que pode ser usado por um não muçulmano que queira visitar a mesquita

Já na companhia da Lica e do Ale acordamos cedinho, café da manha no hostel, com o Ale de convidado/intruso, já que ele estava em outro hostel e, conforme combinado, encontramos o Kais num dos lugares mais incríveis e uma das edificações mais bonitas que eu já tive a oportunidade de visitar: A Mesquita de Al-Aqsa ou Domo da Rocha. Este é o local mais sagrado do Judaísmo, já que acreditam que aqui, mil anos antes de Cristo, (e antes de existir a mesquita), Salomão tenha construído o primeiro templo. É também o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos depois de Meca e Medina, na Arábia Saudita. Já dá pra entender porque Israel e Palestina não se entendem, afinal eles brigam pelo mesmo lugar sagrado e muito da discórdia desses dois povos tem a ver com este local aqui. 

Hoje em dia Jerusalém está sobre domínio israelita mas este local é controlado pelos muçulmanos.

O motivo pelo qual tivemos que encontrar o Kais aqui dentro é porque só é permitida a entrada de não muçulmanos em dias específicos e através de um único portão de acesso ao local. Os muçulmanos entram por odos os outros.

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A vista do teto do hospital

Depois da mesquita fomos a um hospital europeu, suíço, se me não me engano, bem no centro de Jerusalém. O lugar mais parecia um hotel e o Kais quis ir ali pra gente continuar a nossa conversa sobre Jerusalém com um café nos jardins do hospital. Depois subimos ao teto onde tínhamos uma vista privilegiada de toda a cidade, o que facilitava a explicação. Foi uma ótima maneira de começar o dia.

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Eu e Kais

Dali seguimos pra Basílica do Santo Sepúlcro e finalmente pude entender porque as pessoas tocavam a tal pedra que me fez procurar um guia, lembram? Afinal a pedra foi onde o corpo de Cristo foi lavado depois de ser retirado da cruz, por isso o ritual das pessoas.

O nosso almoço foi húmus, pra quem não sabe é talvez o prato mais típico deles, uma pasta feita com grão-de-bico que se come com pão árabe. Delicioso! 

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No restaurante do melhor húmus de Jerusalém

Depois do almoço, conforme eu tinha combinado com o Kais, ele nos levou pra fazer compras de souvenirs e presentes pra família e teve que nos deixar por causa de um compromisso dele. Combinamos de nos encontrar no fim do dia pro nosso último destino, Belém, onde Cristo nasceu. 

Ficamos então com umas horas livres só eu a Lica e o Ale, fomos tirar umas fotos pela cidade, no bairro judeu e no monte das oliveiras. Nos despedimos da Lica que ela ia no outro dia pra Jordânia, que quase foi o meu próximo destino mas… Enquanto eu estava em Israel as notícias de que o Egito estava calmo depois da queda do governo me fez repensar se não seria possível fazer a minha tão sonhada visita às pirâmides e decidi que iria tentar.

Iria pra Eilat no sul de Israel e fronteira com o Egito e a Jordânia, iria fazer uma última tentativa de pedir o visto pro Egito, se fosse negado cruzaria a fronteira pra Jordânia pra visitar Petra. Nessas conversas o Alexandre decidiu me acompanhar rumo ao Cairo!

Mas antes, já sem a Lica, fomos à Belém eu, o Ale e o Kais. Conhecer o local onde Jesus nasceu e também o muro que Israel está construindo entre eles e a Palestina.

Na volta deixamos mais um amigo pra trás, e nos despedimos do Kais.

Era nosso último dia em Jerusalém, no outro dia estaríamos de partida pra Eilat.

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Belém e o muro entre Israel e Palestina

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O local onde Cristo nasceu

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A estrela de prata marca o local exato onde Jesus nasceu

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O muro entre Israel e Palestina à noite

Rumo ao Egito ou Jordânia? Não sabíamos mas com certeza muita coisa interessante ainda estava por vir…

A parte do Egito vou contar no próximo post ok? Então até a próxima!

Fotos da Viagem:

Jerusalém e Palestina

  4Comentários

  1. Deuza Martins de Lima   •  

    Você narrou muito bem, fui a Israel visitei muitos lugares onde foi citado por te, inclusive fui ao museu do holocausto, onde houve muita comoção´por parte dos visitantes, o mar morto foi um dos lugares mais interessante. Ficamos hospedado no David Spar em frente ao mar morto na verdade fizemos uma romaria muito cansativo mas, valeu a pena, Minha opinião eu voltaria!!!

    • André Kirchner   •     Autor

      Olá Deusa, eu com certeza também voltaria! A viagem à Israel foi fantástica e a sensação de nadar no mar morto é incrível não é? Obrigado pelo seu comentário e boas viagens!

  2. Wander Junior   •  

    Olá Andre, td bem? Gostei muito de seu relato e gostaria de saber se você tem o contato do Kais e quanto você pagou por todo esse trajeto, pois vou em Janeiro com meu pai e gostaria de fazer algo parecido com o que você fez. Obrigado e parabéns pelo relatos.

    • André Kirchner   •     Autor

      Oi Wander, muito obrigado! Como envolve uma terceira pessoa vou responder pro seu e-mail ok?

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